A proposta de legislação europeia sobre desmatamento, que exige que produtos como madeira, soja, café e carne bovina não sejam originários de áreas desmatadas após 2020, tem gerado preocupações no Brasil, especialmente entre os pequenos produtores rurais. Durante uma audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, representantes do governo brasileiro alertaram que a aplicação dessa norma poderia ser prejudicial, principalmente devido às dificuldades logísticas e de adaptação à nova regulamentação. Embora a implementação tenha sido adiada por um ano, os especialistas destacam que o Brasil ainda enfrenta desafios para adequar sua produção às exigências europeias, considerando as características regionais e as particularidades da agricultura tropical brasileira.
Os críticos apontam que a legislação europeia não leva em conta as diferenças entre a agricultura praticada no Brasil e na Europa, o que poderia penalizar produtores que já adotam práticas agrícolas sustentáveis. A senadora Tereza Cristina, por exemplo, destacou a necessidade de entender a agricultura tropical brasileira de forma mais ampla, defendendo que a produção no país é moderna, sustentável e eficiente. Além disso, representantes do setor produtivo enfatizam que, apesar do esforço para implementar práticas de sustentabilidade, o Brasil já enfrenta desafios como a insegurança jurídica e as barreiras comerciais impostas por novas exigências socioambientais.
O debate sobre a norma também revela um cenário de tensões comerciais, com a União Europeia impondo um conjunto de medidas ambientais que afetam as exportações brasileiras. Em resposta, o governo está investindo em plataformas como o Agrobrasil Mais Sustentável, com foco em qualificar a produção agropecuária brasileira para atender a mercados internacionais. No entanto, representantes do setor rural ressaltam que, enquanto a União Europeia é importante, não é o maior mercado para o Brasil, e há uma necessidade urgente de garantir que todos os tipos de agricultura no país, especialmente a familiar, não sejam prejudicados por legislações que não dialogam com a realidade brasileira.