Os juros futuros começaram a semana em forte alta, impulsionados pelo crescente pessimismo sobre o cenário inflacionário. O aumento das medianas para o IPCA, PIB e Selic, divulgadas pelo Boletim Focus, elevou as taxas ao longo do dia, com destaque para a escalada das projeções para 2025 e 2026. A expectativa de que o Banco Central terá de adotar uma postura mais agressiva na política monetária foi reforçada pela falta de avanços nas questões fiscais e pela alta nos rendimentos dos Treasuries. O dólar também exerceu pressão sobre a curva de juros, embora tenha iniciado a semana em queda antes de voltar a subir.
As projeções de juros mais elevados para os próximos anos, com a Selic podendo chegar a 16% em 2025, geraram preocupações sobre o impacto na economia. A alta da Selic, precificada nas curvas de juros, pode resultar em uma forte desaceleração da atividade econômica e até em uma recessão. Para o Copom desta semana, as expectativas indicam uma alta de 0,75 ponto percentual, com chances de uma elevação ainda maior em janeiro, o que aumentou a incerteza sobre o futuro econômico. A revisão das medianas do Focus, que colocou a inflação de 2025 acima do teto da meta, também contribuiu para o clima de apreensão no mercado.
O mercado fiscal também gerou preocupações, com o Congresso ainda sem avanços significativos em pautas importantes, como o pacote de corte de gastos. A decisão do STF sobre as emendas no orçamento aumentou as incertezas sobre a tramitação das reformas fiscais. No mercado internacional, os rendimentos dos Treasuries também subiram, o que afetou os mercados emergentes, incluindo o Brasil. O fechamento do dólar a R$ 6,08, um novo recorde histórico, contribuiu para o cenário de incertezas e pressão sobre os mercados financeiros brasileiros.