A insatisfação de deputados com as novas regras para a liberação de emendas parlamentares impactou o andamento do pacote de cortes de gastos do governo. A votação do pedido de urgência para o projeto foi atrasada devido à resistência de parlamentares, que criticaram as medidas de maior transparência nas emendas. Apesar disso, o governo conseguiu aprovar os projetos por margens mínimas, com 260 e 267 votos favoráveis, respectivamente. O atraso e a obstrução por parte de muitos deputados foram vistos como uma forma de pressão política, caracterizada por alguns como chantagem.
O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou a decisão do ministro responsável por liberar os recursos das emendas parlamentares, mas com exigências de maior transparência. A postura de Flávio Dino, que é conhecido por sua independência, gerou descontentamento entre alguns parlamentares, que viam a decisão como mais rigorosa do que o que havia sido aprovado no Congresso. O presidente da Câmara, Arthur Lira, reconheceu o mal-estar entre os deputados, e as negociações para a votação do pacote fiscal estavam inicialmente travadas. Contudo, após uma reunião com líderes partidários, a votação foi realizada.
O pacote fiscal enviado pelo governo inclui uma série de medidas com o objetivo de equilibrar as contas públicas, gerando economias de R$ 375 bilhões até 2030. A proposta de reforma no Imposto de Renda também gerou resistência no Congresso. Além disso, o governo indicou a liberação de R$ 7,8 bilhões em emendas parlamentares nos próximos dias, com pagamentos previstos para sexta-feira (6), como forma de tentar apaziguar os ânimos e dar continuidade às negociações em meio ao clima tenso na política.