Em 2024, o número de imigrantes que chegaram às Ilhas Canárias, na Espanha, proveniente da África Ocidental, superou os 41 mil, estabelecendo um recorde anual. A rota migratória das Canárias, considerada uma das mais perigosas do mundo, viu um aumento nas mortes durante a travessia. Até outubro, 891 pessoas morreram ou desapareceram, com desidratação e hipotermia sendo as principais causas de óbito, conforme relatado pelo único patologista da ilha. No ano anterior, o número de mortes foi consideravelmente menor, com 11 casos registrados em El Hierro.
A tragédia também teve um impacto humano significativo, com várias homenagens sendo prestadas a vítimas como Bathie Barry, que faleceu após chegar às ilhas. Moradores e autoridades locais, incluindo jornalistas e artistas, se reuniram para lembrar essas vidas perdidas, muitas vezes anônimas. O aumento da imigração irregular nas Ilhas Canárias reflete uma crise migratória crescente, com imigrantes tentando escapar da pobreza e de situações difíceis em suas regiões de origem, enfrentando o risco de morte durante a travessia perigosa do Atlântico.
Apesar de uma redução geral nos números de imigração ilegal para a Europa, a região das Canárias apresentou o aumento mais rápido entre os países da União Europeia. As condições adversas do oceano, aliadas à fiscalização intensificada, fazem com que os imigrantes tentem evitar a Guarda Costeira, resultando em naufrágios fatais. O caso mais grave ocorreu em setembro, quando um naufrágio de uma embarcação com 84 pessoas deixou apenas 27 sobreviventes. A identificação de vítimas e a comunicação com as famílias, especialmente dos desaparecidos, continua sendo uma grande dificuldade devido à natureza internacional e imprevisível da rota migratória.