O governo do primeiro-ministro francês Michel Barnier foi derrubado nesta quarta-feira (4) pela Assembleia Nacional, em um cenário de crescente instabilidade política. A moção de censura recebeu 331 votos a favor, ultrapassando a maioria absoluta de 288, encerrando o mandato de Barnier, que durou menos de 100 dias. A medida também rejeitou o orçamento para 2025, aprofundando a crise política que afeta a França, a segunda maior economia da União Europeia. Embora a censura não tenha impacto direto no mandato do presidente Emmanuel Macron, ela o enfraquece ainda mais, especialmente devido à nomeação de Barnier em setembro para garantir estabilidade.
O discurso de oposição ao governo também ganhou força entre líderes de diferentes espectros políticos. A líder de um partido de extrema direita desafiou o presidente a refletir sobre sua permanência no cargo, enquanto um deputado de esquerda afirmou que a moção de censura representa, principalmente, o fim de um ciclo para o presidente. A instabilidade econômica e social contribui para o clima de desconfiança, com uma greve de servidores públicos e mobilizações de agricultores previstas para os próximos dias, além da preocupação com o impacto de um déficit público elevado.
A queda de Barnier marca o governo mais breve da história da Quinta República Francesa. Em um momento de crise fiscal, com o aumento da dívida pública e a necessidade de ajustar o orçamento, Barnier não conseguiu evitar a censura, apesar de sua tentativa de manter a estabilidade. O presidente Macron, sem a possibilidade de convocar novas eleições legislativas até julho de 2025, enfrenta agora a pressão de formar um novo governo em um cenário político fragmentado, com a Assembleia Nacional dividida entre a esquerda, centro-direita e extrema-direita.