Após cinco sessões consecutivas de alta, o dólar à vista registrou uma leve queda nesta terça-feira, 3, fechando a R$ 6,0584, mas mantendo-se acima da marca de R$ 6,00. O movimento de recuperação do real coincidiu com declarações de autoridades, como o presidente da Câmara dos Deputados e o secretário do Tesouro Nacional, que sinalizaram avanços em medidas fiscais. Entre elas, destaca-se a tramitação do pacote fiscal no Congresso, que inclui ajustes nas despesas com o salário mínimo, alinhados aos limites do arcabouço fiscal.
Apesar da leve desvalorização do dólar frente ao real, a moeda brasileira teve desempenho inferior a outros países latino-americanos, como o peso mexicano e o peso chileno. No mercado internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra outras moedas fortes, recuava levemente. O cenário no exterior também foi impactado pela instabilidade política na Coreia do Sul, que afetou negativamente o won sul-coreano. A expectativa de uma elevação na taxa de juros pelo Banco Central brasileiro, após o crescimento do PIB de 0,9% no terceiro trimestre, reforçou a percepção de que a economia brasileira está operando acima de sua capacidade produtiva.
O gerente de câmbio da Treviso Corretora apontou que a manutenção da taxa de câmbio acima de R$ 6,00 reflete um desconforto com a situação fiscal do Brasil. Apesar de notícias positivas sobre o PIB e perspectivas de juros mais altos, a atração de dólares continua limitada pela baixa liquidez e pela pressão de remessas de fim de ano. Segundo especialistas, o Banco Central tem adotado uma postura prudente, evitando intervenções no mercado cambial, já que não há disfunções evidentes nas transações financeiras.