A situação política na França atravessa um impasse sem perspectiva de solução imediata, com a Assembleia Nacional dividida entre três principais blocos, nenhum dos quais consegue formar uma maioria estável. O cenário se agravou após a queda do primeiro-ministro Michel Barnier, que pediu demissão após ser afastado pelo Parlamento. Em seu lugar, Emmanuel Macron anunciou que nomeará um novo primeiro-ministro nos próximos dias, mantendo sua posição presidencial até 2027, apesar das turbulências.
A crise tem como ponto central o orçamento elaborado por Barnier, que foi rejeitado por uma coalizão improvável de forças políticas da esquerda e da direita. Sem um acordo para a aprovação de um novo orçamento antes do dia 20 de dezembro, o governo enfrentará a necessidade de recorrer a medidas provisórias para garantir a continuidade dos serviços públicos. O impasse se aprofunda, levantando questões sobre a capacidade do governo de avançar com a agenda legislativa, especialmente após a queda de um político experiente como Barnier.
Embora a crise possa ser vista como um desafio para o governo de Macron, o presidente não está constitucionalmente ameaçado, já que sua permanência no cargo não depende da queda do primeiro-ministro. A aliança entre a extrema-direita e a esquerda, que já conseguiu derrubar Barnier, coloca mais pressão sobre o Executivo, que não pode convocar novas eleições antes de julho de 2025. Enquanto isso, o futuro político da França segue em um terreno instável, sem sinais claros de uma resolução rápida para o impasse atual.