O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve elevar a taxa Selic para 12% na próxima reunião, que ocorrerá nos dias 10 e 11 de dezembro. A decisão é esperada devido a uma combinação de fatores econômicos, como um crescimento mais forte do PIB no terceiro trimestre, uma depreciação significativa do câmbio e uma piora contínua das expectativas de inflação. A reavaliação do hiato do produto, que mede a diferença entre o PIB potencial e o efetivo, será um ponto importante da reunião, especialmente considerando a surpresa positiva no desempenho da economia.
Além disso, o cenário fiscal também apresenta incertezas, agravadas pelo anúncio de um pacote de cortes de gastos abaixo do esperado. A projeção de inflação para 2026, atualmente em 3,6%, segue distante da meta de 3%, o que reforça a necessidade de uma postura mais rígida por parte do Copom. O economista-chefe do Banco Daycoval, Rafael Cardoso, observa que a inflação ainda não está completamente ancorada, e o comitê precisará adotar medidas para ajustar as expectativas, especialmente com a economia enfrentando um quadro mais desafiador.
Por fim, a expectativa é que o Copom, além de aumentar a Selic, adote um tom mais duro na comunicação, destacando a desancoragem das expectativas de inflação e a urgência de uma política fiscal mais robusta e crível. A possibilidade de uma elevação mais agressiva da taxa de juros também não está descartada, dependendo da evolução do cenário econômico até a data da reunião, o que torna o próximo encontro do Copom um evento chave para os rumos da economia brasileira.