O Brasil nunca teve tantos trabalhadores com ensino superior completo, com mais de 24 milhões de pessoas diplomadas no mercado de trabalho. Esse aumento no número de graduados é um reflexo da expansão do acesso ao ensino superior nas últimas décadas. A taxa de desemprego entre os formados é a mais baixa da história, abaixo de 3%, evidenciando a melhoria do acesso ao trabalho para esse grupo. No entanto, muitos desses profissionais acabam ocupando funções que não exigem o diploma, o que reflete um descompasso entre a formação acadêmica e as oportunidades no mercado de trabalho.
Apesar do aumento da escolaridade, a remuneração dos graduados caiu significativamente nos últimos 12 anos, com uma redução de quase 12% no salário médio, levando em conta a inflação. Esse fenômeno é associado à falta de vagas qualificados no mercado, além do crescimento da informalidade no trabalho. A presença crescente de profissionais com ensino superior em ocupações precárias, como trabalhadores de aplicativos e autônomos, indica uma mudança nas dinâmicas laborais, onde a qualificação não garante mais acesso a empregos formais e bem remunerados.
A realidade de muitos trabalhadores com diploma universitário é marcada pela necessidade de adaptar-se a condições de trabalho mais precárias, como exemplificado por profissionais que, apesar de formados, buscam sustento em atividades informais. Esse cenário destaca uma falha no mercado de trabalho em absorver a quantidade crescente de profissionais qualificados, além de evidenciar um aumento na desigualdade salarial, que afeta, principalmente, aqueles que, apesar de altamente capacitados, enfrentam dificuldades para se inserir nas áreas de atuação para as quais foram preparados.