A depressão é uma doença complexa que vai além das reações normais a fatores externos, como tristeza ou preocupação. Em 2022, cerca de 9,9 milhões de pessoas na Alemanha foram diagnosticadas com depressão, com uma prevalência maior entre as mulheres. Embora a vida da autora do relato tenha melhorado em muitos aspectos ao longo dos anos, ela começou a experimentar sintomas depressivos no segundo trimestre de 2024. Sentimentos de desesperança, culpa e perda de prazer tornaram-se constantes, apesar de suas condições de vida aparentemente favoráveis. Esse relato destaca a diferença entre estresse ou luto e a depressão como uma condição patológica, explicando que a doença tem uma origem neurofisiológica e pode ser influenciada por uma predisposição genética ou adquirida.
Estudos apontam que a depressão está relacionada a uma alteração no cérebro, especificamente na rede de saliência, que regula a percepção emocional e a resposta a estímulos externos. Pacientes com essa condição apresentam uma rede cerebral mais extensa, o que pode ser um indicador de propensão à depressão, mesmo antes do aparecimento de sintomas claros. Embora o diagnóstico de depressão possa trazer alívio, já que permite compreender melhor os sintomas, ele também implica um risco contínuo de recaídas. A psicoterapia e o uso de medicamentos são fundamentais para prevenir episódios futuros, e o psiquiatra Ulrich Hegerl aconselha que os pacientes tenham um plano de emergência para lidar com os primeiros sinais.
Além dos desafios clínicos, a depressão enfrenta um grande obstáculo social: o estigma. A autora descreve como se sentiu envergonhada ao lidar com o diagnóstico, principalmente pela ideia equivocada de que a depressão é uma fraqueza de caráter. Esse preconceito social é uma das principais dificuldades enfrentadas pelos pacientes, como destaca o psiquiatra Hegerl. Falar abertamente sobre a depressão e desmistificá-la são passos essenciais para que os afetados recebam o apoio necessário e possam lidar melhor com a doença, sem o peso da vergonha.