São Paulo está lidando com uma controvérsia ambiental em torno de um projeto da Prefeitura que visa a ampliação do aterro sanitário de São Mateus, na Zona Leste, o que exigiria a derrubada de 10 mil árvores, incluindo 981 espécies nativas da Mata Atlântica. A área também é estratégica, abrigando a nascente do Rio Aricanduva. Embora o projeto tenha sido aprovado em primeira votação pela Câmara Municipal, ele ainda precisa de nova análise. A justificativa da Prefeitura é que a ampliação é necessária para lidar com o crescente volume de resíduos da cidade, com uma compensação ambiental prevista, que inclui o plantio de mais de 10 mil mudas.
Especialistas e ambientalistas alertam para os impactos negativos da medida, especialmente em uma região que abriga um dos biomas mais ameaçados do Brasil. Além de afetar a biodiversidade local, a derrubada de árvores poderia agravar problemas como enchentes e a formação de ilhas de calor, comuns em grandes centros urbanos. Outro ponto de preocupação é a construção de um incinerador no local, que, segundo críticos, pode liberar gases tóxicos e prejudicar a qualidade do ar, afetando a saúde pública. Para muitos, a medida ignora alternativas mais sustentáveis, como a reciclagem e a compostagem, que poderiam reduzir a pressão sobre os aterros sem comprometer o meio ambiente.
A situação de São Paulo reflete um desafio maior enfrentado por muitas cidades brasileiras, onde ainda predominam práticas de gestão de resíduos inadequadas, como os lixões a céu aberto. Apesar de avanços na Política Nacional de Resíduos Sólidos, a implementação de soluções mais eficientes é lenta, e o país ainda está distante de práticas adotadas em outras nações, como a reciclagem em larga escala e a geração de energia a partir de resíduos. Especialistas sugerem que um modelo mais integrado de gestão de resíduos, focado na redução, reaproveitamento e reciclagem, seria o caminho mais eficaz para um futuro mais sustentável.