A pesquisa “Mulheres em cargos de liderança no Executivo federal: reconhecendo desafios e identificando caminhos para igualdade” revela que o sexismo e a estrutura machista no ambiente de trabalho dificultam a ascensão das mulheres na carreira pública federal. Realizado pelo Movimento Pessoas à Frente, o estudo entrevistou 70 servidoras em cargos de chefia, apontando que 64,2% das participantes consideram esses fatores como os maiores obstáculos. Além disso, a conciliação entre carreira e responsabilidades de cuidado e maternidade é um desafio para 71,4% das mulheres, que também enfrentam desrespeito e assédio moral, conforme relatado por 45,7% das entrevistadas.
A pesquisa destaca que a presença feminina diminui à medida que se sobe na hierarquia, com as mulheres enfrentando uma cobrança excessiva para provar sua competência. Para muitas, a maternidade e o trabalho de cuidado as desqualificam perante os colegas, que muitas vezes as veem como menos disponíveis para cargos de liderança. Além disso, a rede de relações interpessoais e o acúmulo de conhecimento técnico são identificados como fatores importantes para a ascensão profissional, apesar de um ambiente ainda predominantemente hostil e excludente.
O estudo também propõe estratégias para aumentar a participação feminina no Executivo federal, incluindo a implementação de políticas afirmativas, como a reserva de metade dos cargos de liderança para mulheres, e o fortalecimento de programas de capacitação e mentoria. A pesquisa mostra que o Brasil ocupa a última posição em participação feminina em cargos de liderança na América Latina, com as mulheres representando apenas 42% dos cargos de chefia no Executivo federal. O movimento destaca a necessidade urgente de um funcionalismo público mais representativo, que reflita as características da população brasileira.