A Polícia Federal (PF) investigou o monitoramento de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) por aliados do governo anterior entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023. A operação faz parte de uma investigação sobre um suposto plano de golpe de Estado com o objetivo de destituir o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o período, o ministro em questão também presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tendo sido alvo de vigilância por parte de assessores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com os relatórios da PF, a espionagem foi conduzida principalmente por mensagens de texto, nas quais os envolvidos usavam codinomes para se referir ao ministro. O monitoramento incluía a coleta de dados sobre a agenda e os deslocamentos do ministro, com detalhes de seus voos entre São Paulo e Brasília. A PF concluiu que as informações de monitoramento estavam relacionadas a esses deslocamentos, especialmente entre 14 e 31 de dezembro de 2022. As mensagens trocadas entre os envolvidos indicam que o foco era acompanhar os passos do ministro durante o período de transição.
Ainda segundo a Polícia Federal, havia planos para realizar ações mais graves, que incluíam figuras-chave do governo eleito. O relatório sugere que as investigações de dezembro de 2022 e janeiro de 2023 mostraram intenções de continuarem ativas até o início do novo governo, com envolvimento direto de assessores do ex-presidente. Além disso, documentos da PF indicam que esses planos eram discutidos enquanto o novo presidente e vice tomavam posse, evidenciando um contexto de instabilidade política e tentativas de desestabilização do novo governo.