Os juros futuros registraram alta significativa nesta quarta-feira, 27, após a divulgação da proposta do governo de isenção do imposto de renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil. A medida, que será apresentada junto a um pacote de corte de gastos, gerou preocupações sobre os impactos fiscais e inflacionários, especialmente por ir contra a necessidade de ajustes fiscais em um momento de incerteza econômica. As taxas dos DIs para 2026, 2027, 2029 e 2031 subiram consideravelmente, refletindo a reação negativa do mercado.
A volatilidade foi impulsionada pela falta de sinalizações claras sobre o pacote de medidas, além da pressão do dólar e do desconforto causado pela ausência de uma explicação detalhada sobre o plano fiscal. A proposta de isenção de IR foi vista como contraditória ao esforço de ajuste fiscal, por ser uma medida de estímulo ao consumo em um cenário de elevada inflação. Especialistas alertaram para os riscos de aumento do consumo, que, mesmo com compensações via tributação mais alta sobre a renda alta, poderia gerar mais pressão inflacionária.
Apesar da resistência interna, o governo buscou justificar a medida com uma proposta de taxação dos super-ricos, mas o mercado ainda permanece cético quanto à aprovação no Congresso, devido ao apelo popular da medida. O cenário de instabilidade também foi exacerbado pelo impacto do câmbio e pela inflação interna, que continuaram a alimentar os temores sobre uma aceleração da taxa Selic. A expectativa para a próxima reunião do Copom já sugere uma possível alta de até 100 pontos, refletindo a crescente tensão sobre os rumos econômicos do país.