O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou um conjunto de medidas fiscais que visam reduzir os gastos públicos em R$ 70 bilhões nos próximos dois anos. Entre as principais propostas estão a criação de um limite para o crescimento anual do salário mínimo, fixado em 2,5% acima da inflação, e um novo foco no controle dos supersalários no funcionalismo público, com o objetivo de garantir que todos os servidores recebam dentro do teto constitucional de R$ 44.008,52 mensais. Além disso, o governo planeja limitar o acesso ao abono salarial, reduzindo a faixa de elegibilidade para trabalhadores de baixa renda.
Outra medida importante é o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda, que passará dos atuais R$ 2.824 para R$ 5.000, beneficiando uma parcela maior da população, mas sem reduzir a carga tributária. Para compensar essa redução de arrecadação, o governo pretende aumentar a tributação sobre rendas superiores a R$ 50 mil mensais. O pacote também inclui ajustes na aposentadoria de militares e uma revisão nas emendas parlamentares, com 50% dessas emendas sendo direcionadas obrigatoriamente para a saúde pública.
As medidas ainda precisam ser aprovadas pelo Congresso e geraram reações mistas, com o mercado financeiro expressando preocupações sobre o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal, especialmente devido ao aumento da isenção do Imposto de Renda. A proposta de elevar os impostos sobre os mais ricos e limitar o crescimento de certas despesas visa melhorar o equilíbrio das contas públicas, mas a implementação das mudanças será acompanhada de perto, dada a complexidade das alterações e a necessidade de conciliar interesses sociais e econômicos.