A disparidade entre os bairros de São Paulo reflete diretamente na expectativa de vida de seus habitantes, com uma diferença de 24 anos entre os distritos de Anhanguera e Alto de Pinheiros. A pesquisa da Rede Nossa São Paulo, que integra o Mapa da Desigualdade de 2024, revela que as desigualdades socioeconômicas continuam presentes, afetando áreas como saúde, habitação, educação e segurança. O estudo também destaca que a cidade, apesar de ser a maior da América Latina, ainda enfrenta um abismo entre os que têm acesso a direitos básicos e os que vivem em situações precárias, como nas periferias e favelas.
O relatório analisa dados de 10 indicadores, incluindo saúde, mobilidade, cultura, segurança e infraestrutura, evidenciando a segregação entre as zonas centrais e periféricas. A diferença na taxa de homicídios, por exemplo, varia 51 vezes entre os distritos de Barra Funda e Campo Limpo, assim como a violência contra a mulher, que mostra desigualdade no acesso à denúncia dependendo da região. A pesquisa também aponta que a concentração de delegacias nas áreas centrais impacta a capacidade de resposta em regiões mais afastadas.
A coordenadora Clara Cabral do Instituto Cidades Sustentáveis, destaca que indicadores como a idade média de morte são decisivos para compreender as condições de vida das populações mais vulneráveis. A falta de acesso à educação, transporte de qualidade e infraestrutura adequada agrava o ciclo de pobreza e limita as perspectivas de vida das pessoas em bairros periféricos. O relatório enfatiza a urgência de políticas públicas mais efetivas para enfrentar a desigualdade que persiste na cidade, prejudicando a qualidade de vida de uma parcela significativa da população.