A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Apostas, instalada no Senado, começou a ouvir depoimentos sobre os impactos das apostas online na economia brasileira e suas possíveis ligações com atividades criminosas. Durante as sessões, delegados da Polícia Civil relataram esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo apostas, com destaque para a utilização de instituições de pagamento no Brasil por criminosos estrangeiros. O delegado Erik Salum apontou que tais atividades movimentam bilhões de reais, com o uso de CPF falsificados para abrir empresas e contas bancárias no país, facilitando a fuga de recursos para o exterior. A investigação também mencionou o uso do Pix para transferências ilegais, aproveitando brechas na regulamentação do Banco Central.
Por outro lado, o empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido pelo seu envolvimento com a plataforma One Internet Group, foi convocado para esclarecer sua relação com o jogo de cassino “Fortune Tiger”, o “Jogo do Tigrinho”, que se popularizou nas apostas online. Lima negou ser o proprietário do jogo, afirmando que ele é oferecido por sua empresa apenas como agregador de jogos, e reforçou que sua plataforma segue as normas estabelecidas pelo Ministério da Fazenda. Durante o depoimento, ele foi questionado sobre a falta de clareza quanto aos contratos de sua empresa e sobre a expansão dos negócios, o que gerou críticas de parlamentares.
A CPI também discutiu o impacto das apostas nas finanças pessoais das famílias brasileiras, com muitos cidadãos se endividando devido à prática. Senadores como Omar Aziz alertaram sobre a necessidade de regulamentação eficiente, destacando que a taxação das apostas poderia gerar uma arrecadação significativa para o governo. A Lei 14.790, de 2023, que regulamenta as apostas esportivas e jogos online, tem sido um tema central, mas os desafios relacionados à sua implementação e fiscalização continuam a ser discutidos.